Publicidade

O que é melhor? Cranques mais compridos? Ou o contrário?

O comprimento dos cranques sempre foi alvo de interessantes debates e opiniões, e é sempre conveniente mostrar o ponto de vista científico para colocar alguma fervura no tema.
MOUNTAINBIKES.PT Especialista: Yago Alcalde -
O que é melhor? Cranques mais compridos? Ou o contrário?
O que é melhor? Cranques mais compridos? Ou o contrário?

O tema do comprimento dos cranques foi estudado por inúmeras vezes com o objetivo de determinar qual é o tamanho adequado para cada ciclista. Tanto a nível experimental (estudos em laboratório) como prático é uma das questões onde existem sempre debates, opiniões contraditórias, ideias pré-concebidas e crenças.

Do ponto de vista experimental, existem vários estudos científicos que chegaram à mesma conclusão: é difícil encontrar diferenças sifgnificativas em termos de rendimento utilizando diferentes comprimentos de cranque. Não se consegue mover mais watts com uns cranques ou com outros e muito menos se podem medir diferenças em termos de economia de esforço quando se comparam cranques com diferenças de até 2 cm entre eles (180 mm vs. 160 mm).

No entanto, é verdade que muitos ciclistas e experts asseguram que é muito melhor um de 175 mm do que 170 mm porque faz um maior efeito de alavanca e por outros motivos com pouca justificação científica. A teoria de que se faz mais alavanca não explica que o recobro do cranque ou a parte ascendente da mesma seja dificultada, prejudicando assim a cadência. Deste modo, devemos ter em conta que uma variação no comprimento do cranque de 5 mm não vai ter nenhum impacto no rendimento. 

E A NÍVEL DE SAÚDE?

Outra forma de analisar a influência do tamanho dos cranques é do ponto de vista articular, partindo da ideia de que quanto mais compridos forem os cranques maior será o limite de movimento articular, principalmente a nível do joelho. Isto supõe que quando o pedal se encontra na parte superior da pedalada, o joelho vai estar mais ou menos fletido em função tanto do comprimento do cranque como da altura do selim. Quanto mais comprido for o cranque, mais fletido estará o joelho no ponto mais alto da pedalada. Neste sentido, a tendência no âmbito da biomecânica do ciclismo é conseguir, de uma perspetiva baseada na experiência, ângulos corretos tanto de flexão como de extensão do joelho, partindo da ideia de que um excesso de flexão do joelho (cranques compridos) pode ter consequências negativas a nível articular, já que se incrementa a pressão na rótula. 

Em função da altura do selim, podemos fazer as seguintes recomendações gerais acerca do comprimento dos cranques: 

Infelizmente estas recomendações são difíceis de levar a cabo, já que para conseguir cranques de 165 e de 180 mm é realmente complicado, portanto, há várias pessoas que usam cranques com o comprimento teoricamente que não lhes corresponde. Mas a parte boa é que não têm grandes dificuldades quando chega a hora de pedalar. Normalmente a principal causa das dores nos joelhos é uma altura incorreta do selim, tanto por defeito como por excesso. Se um ciclista instalou recentemente uns cranques muito compridos é necessário baixar o selim os mesmos milímetros que os cranques têm em excesso relativamente ao que tínhamos anteriormente, com o objetivo de manter o mesmo ângulo de extensão de perna que tínhamos. E o mesmo se passa ao revés, se encurtámos o tamanho dos cranques devemos subir o selim para igualar. 

Uma última recomendação para ciclistas com lesões graves no joelho: em caso de dúvida, é preferível usar cranques mais curtos para reduzir o trabalho do joelho (menor esforço articular). 

 

 

Utilizamos cookies próprias e de terceiros para facilitar e melhorar a navegação, mostrar conteúdo relacionado às suas preferências e coletar informações estatísticas. Se você continuar navegando, consideramos que você aceita seu uso. Mais informação.